sábado, 29 de dezembro de 2007

Um poema para a Adélia

Canção amiga

Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.

Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.


De Carlos Drummond de Andrade, in "Novos Poemas", 1948

2 comentários:

OBJECTIVO: SOCIALISMO! disse...

Eu gosto muito deste poema. Mas fiquei com pena de não ter lido para a Adélia o QUANDO, que sempre associarei a ela, na minha memória e no meu coração. Fica aqui:

Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.

Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.

Será o mesmo brilho a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta.
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.

Sophia de Mello Breyner

Mi

Luís disse...

Não sei se eras da NOVA
se da VELHA
ESQUERDA.
Não sei nem me interessa
Sei sim de onde eras e
tambem de onde não eras
Isso basta-me

Peres

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