quarta-feira, 6 de junho de 2007

Um óptimo começo de trabalho!

O balanço da V Convenção Nacional do Bloco de Esquerda (BE) não podia ser mais positivo para os subscritores da “Moção D – Por uma maioria social de Esquerda” e para os defensores da corrente da Esquerda Nova no seio do BE: foi um óptimo começo de trabalho!

No final de Março, a Comissão Organizadora da Convenção (COC) acedeu ao meu pedido e distribuiu pelos aderentes do distrito do Porto, através do correio electrónico, o texto seguinte por mim subscrito:

O Bloco pela Democracia Socialista
O Bloco de Esquerda tem desbaratado, nos últimos anos, parte significativa (e decisiva?) do capital de esperança reconstruída, na acção política e nos vários actos eleitorais, junto de centenas de milhares de homens e mulheres das esquerdas que, em nome da Democracia Socialista, souberam unir esforços num projecto de "propostas fortes" que assumia o compromisso de se assumir como "sinal de esperança".
Os pressupostos que, então, levaram à união de várias esquerdas mantêm-se politicamente válidos e equilibrados. Tal como se definia no manifesto fundador do Bloco de Esquerda, "o desafio que colocamos à sociedade portuguesa é da emergência de uma nova iniciativa política".
No mesmo documento, o Bloco assumia "as grandes tradições da luta popular no país" e garantia querer aprender com "outras experiências e desafios". Isto porque o projecto visava renovar a "herança do socialismo" e incluir "as contribuições convergentes de diversos cidadãos, forças e movimentos que ao longo dos anos se comprometeram com a busca de alternativas ao capitalismo".
Infelizmente, o Bloco de Esquerda não tem correspondido a essa expectativa, sobretudo desde 2005. A organização político-partidária não tem sido capaz de associar a si, pelas suas propostas, o apoio e o empenhamento de correntes organizadas de intervenção política ou social e de múltiplas opiniões. Por isso, o Bloco surge, cada vez mais, como uma organização semelhante às restantes existentes no espectro político português; a sua estrutura tem cristalizado, não tem sido capaz de interpretar novas questões fracturantes na sociedade; falha clamorosamente do ponto de vista de organização interna, não faz sequer debate político; limita-se, com frequência, a tentar dar resposta aos temas da agenda política, conforme eles vão surgindo; nem sequer acompanha os seus eleitos locais, quase todos sem experiência autárquica.
Não há soluções milagrosas, incluindo na política, mas aos que, ao longo do seu trajecto político e partidário, até já assistiram a "filmes" semelhantes, e aos que, por quaisquer outras razões, se identifiquem de algum modo com a insatisfação que o Bloco tem gerado,
proponho que se mantenham em contacto (via e-mail, telefone, etc.) com vista à criação de condições para a elaboração de propostas de alteração aos Estatutos e de uma Moção de Orientação Política à V Convenção do Bloco de Esquerda.

As respostas ao apelo não tardaram e um pequeno grupo de militantes deu corpo, em apenas um mês, ao “sinal de esperança” que, em seu entender, devia constituir um texto de reflexão/proposta de moção de orientação política a levar, eventualmente, à Convenção.

As lacunas foram muitas, os erros na caminhada vários, mas também ninguém buscava a perfeição! Com todas as limitações intrínsecas ao nascimento da Moção D, ainda asssim, conseguimos:

- participar nos debates intermoções em Aveiro, Braga Lisboa, Porto e Viana do Castelo;

- melhorar e reforçar o conteúdo político da nossa proposta de moção de oerientação política;

- eleger delegados à Convenção no Porto e em Aveiro;

- editar e distribuir dois jornais com as nossas posições políticas;

- e alimentar, quase diariamente, este mesmo blogue.

A crispação gerada no debate através dos blogues das diferentes moções, e sobretudo nos próprios debates intermoções, radicalizou os discursos e, inevitalmente, obrigou a cerrar de fileiras. Apesar disso, apercebemo-nos que havia condições objectivas para levar a votação a nossa proposta de moção, tanto mais que o “discurso” e as propostas da Moção D não se enquadravam no que ia sendo dito no Fórum Lisboa. Ao fim de muitos anos de silêncio, e embora timidamente, os aderentes do BE voltaram a pronunciar o substantivo “socialismo”! O resultado da votação – Moção A, 79,9%; Moção B, 2.3%; Moção C, 14,3%; Moção D, 3,3% – foi francamente encorajador.

Aqui chegados colocava-se o problema apresentar, ou não, uma lista de candidatos à Mesa Nacional. A decisão, politicamente muito complicada, não foi unânime, mas optámos! Parecia-nos quase impossível eleger um delegado, mas a Convenção atribui-nos dois! Moção A, 62 delegados /77,5%); Moção B, 4 (5%); Moção C, 12 (15%); Moção D, 2 (2,5%).

Foi um óptimo começo de trabalho!

Fiéis ao que, repetidamente, afirmámos desde o final de Março continuamos a ser Bloco dentro do Bloco de Esquerda, mas, agora, os subscritores da Moção D também vão dar corpo à substância das propostas feitas, aprendendo com outras experiências e desafios para contribuir a renovar a herança do socialismo.

1. Este blogue manter-se-á e, após um pequeno arranjo gráfico, será o espaço privilegiado de expressão da corrente da Esquerda Nova do BE;

2. O jornal “OBJECTIVO: SOCIALISMO” continuará a ser editado e distribuído, agora por via electrónica, para os aderentes e simpatizantes que constam dos nossos contactos e para tod@s @s que nos manifestam essa pretensão;

3. Gradualmente, e na medida das nossas possibilidades, trataremos de fazer a tradução prática e objectiva de algumas das ideias defendidas na Moção D: as Conferências da Esquerda Nova são o melhor exemplo!



Paulo F. Silva

5 comentários:

OBJECTIVO: SOCIALISMO! disse...

Ora Viva Paulo,

Também estivemos (estive com o Avelino) no debate intermoções em Coimbra.

Um abraço,
João Freire

Paulo disse...

Pois estiveram!

Desculpem o lapso involuntário.

Paulo F. Silva

Carlos disse...

Olá Bloquistas:
É bom prestar contas. Fiquei a saber um pouco mais.Continuo é a não perceber é ás as " contas " do numero de delegados eleitos, expressão na votação nas moções, e expressão na eleição da mesa. Também sou de opinião que o resultado global é bastante positivo, não obstante o facto de ser uma moção de ambito regional, sem oportunidade de contactos nacionais e com um modelo de eleição de delegados não assente na porpocionalidade das moções.A eleição em listas distritais para a ASS. República favorece os grandes partidos, da mesma maneira que a eleição distrital no Bloco, favorece a direcção. Só no Porto e em Aveiro é que os aderentes do bloco simpatizantes da moção Dse puderam manifestar.Coisas da democracia burguesa.Será que podiam gastar algumas energias, para reflectir sobre a proposta do PS (Renato Sampaio) sobre uma coligação para o Porto? Eu sei que não será tema prioritário para a terra, mas também sei que se for tarde e a más horas vamos continuar a levar com o Rui Rio.
Um abraço
Carlos Carvalho

Rui Faustino disse...

Polícia invade a CIPLA - fábrica ocupada no Brasil!

Em Outubro de 2002, sem receber salários e direitos, os trabalhadores da Cipla (empresa do ramo plástico de Joinville – SC) deflagraram uma greve e depois ocuparam a empresa. Desde então a empresa vem produzindo sob controle dos trabalhadores. Mas as dificuldades são muitas, pois os antigos patrões deixaram dívidas monstruosas. Como boa parte destas dívidas é com o Governo Federal, os trabalhadores se dirigiram ao Governo Lula exigindo a estatização da empresa como única forma de salvar seus postos de trabalho. Quando Lula recebeu os trabalhadores, formou uma comissão técnica chefiada pelo BNDES que concluiu que a única saída é a estatização. Mas enquanto o Governo não toma uma atitude, os trabalhadores não param de lutar e continuam produzindo. Nestes quase 5 anos de luta os trabalhadores conseguiram aumentar o faturamento da empresa, reajustar os próprios salários, efetivar os estagiários, reduzir a jornada de trabalho para 30 horas semanais, entre outras melhorias!

Depois da Cipla, por todo o país, trabalhadores de várias empresas – como Interfibra, Flaskô, Flakepet, Ellen Metal, Botões Diamantina, Fibracôco, JB Costa, Cozinhas Oli, Deslor, Calfort, etc. – decidiram partir pra ocupação e lutar pela estatização sob controle operário.

A classe trabalhadora brasileira já cansou de ser explorada pela burguesia! Quando os trabalhadores se colocam em luta, os detentores do poder fazem de tudo para esmagá-los. Desde 2002 os trabalhadores das fábricas ocupadas enfrentam ameaças de reintegração de posse, corte de energia, leilões e retirada de máquinas, etc. Os empresários de todo o país vêem as vitórias e avanços conquistados pelos trabalhadores da Cipla e das outras fábricas ocupadas como uma ameaça à propriedade de suas empresas! Os patrões de todo o Brasil têm medo que os trabalhadores de suas empresas, seguindo o exemplo da Cipla, não permitam continuar sendo explorados!

Na manhã deste 31 de Maio de 2007, os trabalhadores da Cipla foram surpreendidos por 150 homens da Polícia Federal, fortemente armados, que invadiram a fábrica para prender os membros da comissão eleita pelos trabalhadores. O juiz federal substituto concedeu a ordem judicial por pedido do INSS!

Neste momento os trabalhadores estão organizados e mobilizados para realizar assembléias nas diversas fábricas ocupadas e um grande ato amanhã (01/06) em frente à Cipla. Os trabalhadores pedem que, imediatamente, sejam enviadas cartas, moções, sejam feitas ligações telefônicas e que todos que puderem se dirijam à Cipla em apoio à luta contra qualquer ameaça da justiça federal ou dos antigos patrões.

A todos os trabalhadores, sindicatos, entidades estudantis, organizações populares e movimentos sociais, a todos os cidadãos: Enviem urgentemente mensagens e moções ao Juiz Federal Substituto, aos Ministérios da Justiça, do Trabalho e da Previdência, e ao Presidente da República (sugestão de texto abaixo):

Sr. Juiz Federal Dr. Oziel Francisco de Sousa,

Srs. Ministros Tarso Genro, Carlos Lupi e Luiz Marinho

Sr. Presidente Lula

Cessem imediatamente a perseguição aos trabalhadores e à comissão de fábrica da CIPLA!

Ordenem que a Polícia Federal se retire da fábrica e permita a entrada da comissão de fábrica sem ameaças de prisão, que permita que os trabalhadores se reúnam em assembléia e decidam livremente! Os únicos que podem destituir a comissão eleita pelos trabalhadores são os próprios trabalhadores!

A Polícia Federal deve ser dirigida contra os corruptos e traficantes e não contra os trabalhadores!!!

Enviar para:



Juiz Federal Dr. Oziel Francisco de Sousa
SCJOIEF01@jfsc.gov.br

Ministro da Justiça Tarso Genro gabinetemj@mj.gov.br

Ministro da Previdência Luiz Marinho
gm.mps@previdencia.gov.br

Ministro do Trabalho Carlos Lupi
gm@mte.gov.br

Presidência da República
protocolo@planalto.gov.br

Cópias para:

Serge Goulart - Conselho das Fábricas Ocupadas
sergegoulart@terra.com.br

ESTA E OUTRAS NOTÍCIAS EM

http://tirem-as-maos-da-venezuela.blogspot.com

Rui Faustino disse...

Cai a máscara à "livre imprensa" da burguesia! Os mesmíssimos tubarões dos Média que protestam pela não renovação da licensa de transmissão do canal golpista RCTV (que, entre outras coisas... foi o centro de comunicações e planeamento do golpe de estado de 2002 contra Chavez), assumem o que entendem por "liberdade de imprensa": liberdade de omitir, desinformar, iludir e manipular a consciência das massas segundo os seus interesses.

A empresa americana Google (que gere o youtube)elimina contas e apaga vídeos sobre a Revolução Venezuelana.

Luigino Bracci, cujos vídeos feitos em 2006 e 2007 sobre o processo revolucionário em curso na Venezuela, tinham sido vistos por mais de milhão e meio de pessoas por todo o mundo, testemunha como a sua conta foi obliterada! Sem mais!

http://tirem-as-maos-da-venezuela.blogspot.com

Ou melhor... com a "pequena" ajuda da Televisão neofranquista do Estado Espanhol Antena 3 que se queixou à youtube, garantindo que 2 dos vídeos de Luigino Bracci feriam os seus direitos de autor!

Ora, a google não foi de modas: não apenas apagou os tais dois vídeos, como resolveu apagar o Luigino da youtube.

De resto, este não é um caso único e isolado de censura política na net e na própria youtube!

Se as corporações capitalistas de todo o mundo se unem contra a revolução venezuelana; saibamos nós, revolucionários e activistas de esquerda, furar o bloqueio informativo sobre a Revolução Venezuelana, defendendo-a militante e fraternalmente no nosso próprio país.

É esse o convite que vos faço: a que se juntem à plataforma de defesa e solidariedade com a revolução venezuelana que está já presente em mais de 40 países: "Tirem as Mãos da Venezuela"

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