quinta-feira, 19 de abril de 2007

O BLOCO É UM MOVIMENTO SOCIAL E POLÍTICO, NÃO É UM PARTIDO PARLAMENTAR!

Não é por culpa dos Estatutos que o debate no interior do Bloco tem estado reduzido a algumas ilhas. Mas os Estatutos também não favorecem a criação de condições para esse debate, para o confronto democrático.

Os Estatutos reconhecem vagamente o "direito de tendência" (art.4º, alínea b), mas o exercício desse direito não é verificado, no período entre Convenções, ao nível dos núcleos, das coordenadoras distritais ou regionais e nos diversos meios de comunicação (papel e net).

As únicas tendências existentes parece que se resumem aos ex-partidos que estiveram na origem do Bloco... como se os independentes (desses ex-partidos) tivessem de estar alinhados por/com essas "tendências".

As moções A, B, C e D à V Convenção são, em si mesmas, tendências que não se esgotam no final da próxima Convenção. E, a ser assim, essas Moções deveriam passar a ter o direito de exprimirem, sempre que o quisessem, as suas posições ao lado das posições da maioria que sair da próxima Convenção. A expressão dessas opiniões deveria ter lugar próprio no portal do Bloco, no Esquerda.net e no periódico Esquerda.

O artigo 4.º dos Estatutos deveria ser reformulado, de modo a fomentar e salvaguardar o direito de tendência em toda a vida do Bloco.

O debate, o confronto democrático, a reconhecimento da diferença, ... , só favorece, não diminui, a mobilização das vontades!

Reforçando o Bloco de Esquerda como "movimento político de cidadãs e cidadãos" (artº1. - 1), os Estatutos deveriam também contemplar a possibilidade de adesões colectivas de grupos, movimentos ou colectivos que aceitassem as orientações do Bloco e fossem aceites pela Mesa Nacional.

Os Estatutos deveriam também contemplar regulamentação visando o Grupo Parlamentar, de modo a salvaguardar a sua permanente ligação às orientações políticas do Bloco de Esquerda e o seu dever de informação aos orgãos e aos militantes do Bloco.

As preocupações aqui anotadas (e que terão expressão em propostas para a V Convenção Nacional) , visam salvaguardar o Bloco de Esquerda como um movimento social e político de inequívoca orientação democrática, libertária e socialista e não como (mais!...) um partido parlamentar e/ou eleitoral!

João Pedro Freire
Matosinhos/nr. 147

4 comentários:

Miguel Madeira disse...

Só por curiosidade...

é este?

http://militantesocialista.blogspot.com/

esquerda.comunista@gmail.com disse...

Quase três meses depois do último plenário de militantes convocado pela concelhia de Lisboa, tivémos o raro privilégio de receber a seguinte mensagem sobre as comemorações do 25 de Abril:

"O Bloco de Esquerda, com sempre, participará com um cortejo próprio na manifestação do 25 de Abril.
O cortejo terá como tema o anti-racismo, com uma faixa "tod@s livres, tod@s iguais". TEREMOS PANCARTAS PARA SEGURAR E JORNAIS PARA DISTRIBUIR."

Não é fabuloso?

Rui Faustino

Paulo F. Silva disse...

Satisfaço então a curiosidade: sou eu o editor do "Tribuna Socialista"! Espero que isso não seja um obstáculo, um bloqueio ...
O Tribuna Socialista, em http://militantesocialista.blogspot.com é um espaço socialista libertário que, óbviamente, é independente do BE, embora, enquanto espço socialista que é, está aberto a socialistas de diversas tendências, tendo em comum uma perspectiva anti-capitalista, libertária, humanista e revolucionária. a) João Freire

Paulo F. Silva disse...

Rui Faustino, benvindo ao debate através da Moção D.
Partilho da tua critica ao abstracionismo da intervenção do BE na manifestação do 25 de Abril. A hiper-parlamentarização da vida do BE imposta pela actual direcção do BE (ou do grupo parlamentar? ... mas qual é a diferença?) tem destas coisas! O socialismo começa a ser, no BE, um objectivo muito pouco preconizado pela direcção... a) João Freire

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