quarta-feira, 18 de abril de 2007

Um debate a quatro, em nome do serviço público

A luta interna no CDS/PP tem possibilitado aos democrata-cristãos um tempo de antena largamente imprevisto.

Na verdade, o regresso à “cena política” de Paulo Portas escancarou ao CDS/PP as portas da Comunicação Social, nomeadamente as da televisão. Se as privadas fazem, ao fim e ao cabo, o que muito entendem em nome das audiências, por muito reprováveis e pouco éticos que sejam alguns dos seus métodos, a RTP não deveria permitir-se a esse luxo. Sublinhe-se que estamos a falar de um partido que, nas últimas legislativas, somou 416.415 votos (7,25%).

Mas, se nesta matéria, o comportamento da RTP estiver adequado ao conceito de “serviço público”, então resta ao Bloco de Esquerda, através da Comissão Organizadora da V Convenção, solicitar à RTP semelhante tratamento, organizando um debate entre os primeiros subscritores das quatro moções apresentadas à Convenção. Afinal de contas, o Bloco de Esquerda obteve, nas últimas eleições legislativas, 364.909 votos (6,35%)…

Os problemas do CDS/PP são todos intestinos e pessoais, e resumem-se a uma mera luta pelo poder, ao passo que os do Bloco de Esquerda são iminentemente políticos. Entre o espectáculo do apelo ao consumo do telespectador e o debate responsável sobre propostas relevantes para o país e para a Esquerda Socialista, a RTP não pode emitir juízos de valor, aplicar dois pesos e duas medidas.

5 comentários:

kandimba disse...

Não compreendo a necessidade de trazer o debate interno para a praça pública. Os problemas internos devem ser discutidos internamente.
Sei que os três partidos do centro e direita que têm governado o país se caracterizam pelas constantes disputas entre dirigentes. Os jornalistas adoram este género de lutas idiotas e há mesmo quem confunda isto com democracia interna. Nada mais errado. Num partido democrático há toda a liberdade para os militantes expressarem as suas opiniões e lutarem por elas, nos órgãos próprios. É o que acontece no BE, como vocês sabem bem.
Sei que há problemas de comunicação e de organização e eu também tenho sido um militante crítico. Inclusive tenho subscrevido muitas das ideias que defendem. Mas defendo estas ideias nos núcleos, nas Assembleias Distritais, na Convenção Nacional. Nunca me ocorreria utilizar a comunicação social para exprimir as minhas ideias em relação ao Bloco pelo mesmo motivo que me leva a não querer interferir nas questões internas de outros partidos.
Dizer que deveríamos ter um debate a quatro na TV é dizer que queremos adoptar o método de funcionamento interno do PP. Não é essa a minha forma de estar na política, camaradas.

Paulo F. Silva disse...

Camarada

Receio que não tenhas entendido o verdadeiro alcance da proposta. É evidente que a forma de estar na política do Bloco de Esquerda em nada se assemelha com a do CDS/PP, aliás, a comparação é até um pouco insultuosa para nós próprios. Mas não vejo problema algum em debater coisas sérias e importantes para a Esquerda e o País na televisão pública entre camaradas do mesmo partido - ou será que, em matéria de política, só é possível levar à televisão lutas intestinas pelo poder?

Quanto à eventual liberdade interna que alegas para defesa da ideia "X" ou "Y" nos núcleos, nas Assembleias Distritais e na Convenção, lamento mas tenho de corrigir-te. Na Convenção não defendes coisa nenhuma até pelas limitações do cronómetro (dá uma passagem rápida pela blogosfera e depressa perceberás o que estou a dizer); mais, só vais à Convenção se conseguires "entrar" na regra da proporcionalidade que foi imposta aos aderentes do Bloco.

Nas Assembleias Distritais só podes defender o teu ponto de vista se... as reuniões acontecerem! Ora, no que se refere ao Porto já perdi a memória da última vez!

Quanto aos núcleos, bem!, só há trabalho efectivo político até ao limite da freguesia e do concelho, quando há!, porque quando começas a questionar outro tipo de coisas esbarras num muro. Ou será que ainda não deste conta que, na prática, te limitas a ratificar documentos que já estão "superiormente" elaborados e decididos (independentemente de, no fim de contas, concordares ou não com o seu teor)?

kandimba disse...

Bom, acabei de ver o Ribeiro e Castro a dizer que o Paulo Portas é um ovo kinder porque nunca se sabe o que vai sair dentro. É claro que me ri mas não acharia a mínima piada se visse este tipo de ataques dentro do BE. Sei bem que não será esse o caminho que querem seguir mas também sei como os debates na TV tendem a descambar.
Quanto à convenção: é verdade, eu nem sei se vou ser eleito delegado para poder ir e usar a minha palavra. No BE, ao contrário do que acontece noutros partidos, não há lugares cativos, nem mesmo para os eleitos para cargos de poder. Daí que tenha que me candidatar no âmbito de uma lista que concorrerá com outras listas. Teremos dois meses de debate interno e do resultado da votação democrática, em que todos os militantes podem votar, sairá o elenco dos delegados em cada distrito.
Qual é a alternativa? Permitir que todo e qualquer militante possa ir à convenção e falar? Não me parece que seja exequível, a menos que a convenção dure um mês.
Quanto às Assembleias Distritais: é verdade, deviam ser mais frequentes. Também é verdade que há demasiado tempo que não se faz uma no Porto. Mas o que tem isso a ver com a Convenção NACIONAL? Vai ser a Mesa Nacional a definir o calendário distrital? Recordo que não estamos a eleger a Coordenadora Distrital portanto problemas locais pouco adiantam para a discussão que realmente interessa.
Deixo aqui uma sugestão: façam uma carta aberta à Coordenadora Distrital a pedir que marque uma Assembleia Distrital. Ou então arranjem o apoio de 20% dos aderentes (acho que será esta a proporção) e poderão marcar uma Assembleia Distrital. De uma forma ou de outra serão bem sucedidos certamente. Além de que poderão sempre contar com o meu apoio. O que não percebo é o porquê de se criar uma lista para a Mesa Nacional com base em militantes de uma só zona geográfica e em problemas circunscritos à mesma zona. Aí já não terão o meu apoio.

Paulo F. Silva disse...

Já repararam na cobertura mediática que a guerra fulanizada no CDS tem na imprensa? Por exemplo, hoje, sábado, 21 de Abril, até serve de capa à revista do Expresso.
Se é assim, porque razão o debate político interno do Bloco, também não pode ter expressão pública?
O Bloco precisa de activar o seu debate interno, mas precisa muito mais de expor socialmente a pluralidade das suas posições internas!

a) João Pedro Freire

Paulo F. Silva disse...

Meu caro kandimba
Espero que tenhas lido o post sobre as razões do aparecimento da Moção D.
Ali tornamos clara a dificuldade que se põe aos aderentes que apenas militam no Bloco de Esquerda de contactarem com outros aderentes fora de um ambito geográfico muito limitado.
Os problemas que queremos ver discutidos na V Convenção não se lim itam, como pareces querer dizer, às questões distritais, a nossa moção espelha-o.
Há questões políticas por detrás de todas as questões organizativas.
São essas que queremos discutir. A menor das quais não é a parlamentarização da vida do Bloco, com o esquecimento do "correr por fora" que fará toda a diferença na nossa actuação.
De qualquer modo ficamos gratos pela tua colaboração.

Ferreira dos Santos

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